domingo, 7 de março de 2010

A casa caiu - BANCOOP

O Ministério Público quebra sigilo da Bancoop e descobre que dirigentes da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo lesaram milhares de associados, para montar um esquema de desvio de dinheiro que abasteceu a campanha de Lula em 2002 e encheu os bolsos de dirigentes do PT. Eles sacaram ao menos 31 milhões de reais na boca do caixa


Laura Diniz
Montagem sobre foto Jose Meirelles Passos/ Ag. O Globo

NÃO É SÓ A BARBA QUE LEMBRA O ANTECESSOR
João Vaccari, o novo tesoureiro do PT, é o homem por trás do esquema Bancoop,
diz o Ministério Público

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VEJA TAMBÉM
• Quadro: O esquema Bancoop

Depois de quase três anos de investigação, o Ministério Público de São Paulo finalmente conseguiu pôr as mãos na caixa-preta que promete desvendar um dos mais espantosos esquemas de desvio de dinheiro perpetrados pelo núcleo duro do Partido dos Trabalhadores: o esquema Bancoop. Desde 2005, a sigla para Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo virou um pesadelo para milhares de associados. Criada com a promessa de entregar imóveis 40% mais baratos que os de mercado, ela deixou, no lugar dos apartamentos, um rastro de escombros. Pelo menos 400 famílias movem processos contra a cooperativa, alegando que, mesmo tendo quitado o valor integral dos imóveis, não só deixaram de recebê-los como passaram a ver as prestações se multiplicar a ponto de levá-las à ruína (veja depoimentos abaixo). Agora, começa-se a entender por quê.

Na semana passada, chegaram às mãos do promotor José Carlos Blat mais de 8 000 páginas de registros de transações bancárias realizadas pela Bancoop entre 2001 e 2008. O que elas revelam é que, nas mãos de dirigentes petistas, a cooperativa se transformou num manancial de dinheiro destinado a encher os bolsos de seus diretores e a abastecer campanhas eleitorais do partido. "A Bancoop é hoje uma organização criminosa cuja função principal é captar recursos para o caixa dois do PT e que ajudou a financiar inclusive a campanha de Lula à Presidência em 2002." Na sexta-feira, o promotor pediu à Justiça o bloqueio das contas da Bancoop e a quebra de sigilo bancário daquele que ele considera ser o principal responsável pelo esquema de desvio de dinheiro da cooperativa, seu ex-diretor financeiro e ex-presidente João Vaccari Neto. Vaccari acaba de ser nomeado o novo tesoureiro do PT e, como tal, deve cuidar das finanças da campanha eleitoral de Dilma Rousseff à Presidência.

Um dos dados mais estarrecedores que emergem dos extratos bancários analisados pelo MP é o milionário volume de saques em dinheiro feitos por meio de cheques emitidos pela Bancoop para ela mesma ou para seu banco: 31 milhões de reais só na pequena amostragem analisada. O uso de cheques como esses é uma estratégia comum nos casos em que não se quer revelar o destino do dinheiro. Até agora, o MP conseguiu esquadrinhar um terço das ordens de pagamento do lote de trinta volumes recebidos. Metade desses documentos obedecia ao padrão destinado a permitir saques anônimos. Já outros cheques encontrados, totalizando 10 milhões de reais e compreendidos no período de 2003 a 2005, tiveram destino bem explícito: o bolso de quatro dirigentes da cooperativa, o ex-presidente Luiz Eduardo Malheiro e os ex-diretores Alessandro Robson Bernardino, Marcelo Rinaldo e Tomas Edson Botelho Fraga – os três primeiros mortos em um acidente de carro em 2004 em Petrolina (PE). Eles eram donos da Germany Empreiteira, cujo único cliente conhecido era a própria Bancoop. Segundo o engenheiro Ricardo Luiz do Carmo, que foi responsável por todas as construções da cooperativa, as notas emitidas pela Germany para a Bancoop eram superfaturadas em 20%. A favor da empreiteira, no entanto, pode-se dizer que ela ao menos existia de fato. De acordo com a mesma testemunha, não era o caso da empresa de "consultoria contábil" Mizu, por exemplo, pertencente aos mesmos dirigentes da Bancoop e em cuja contabilidade o MP encontrou, até o momento, seis saídas de dinheiro referentes ao ano de 2002 com a rubrica "doação PT", no valor total de 43 200 reais. Até setembro do ano passado, a lei não autorizava cooperativas a fazer doações eleitorais.

Outro frequente agraciado com cheques da Bancoop tornou-se nacionalmente conhecido na esteira de um dos últimos escândalos que envolveram o partido. Freud "Aloprado" Godoy – ex-segurança das campanhas do presidente Lula, homem "da cozinha" do PT e um dos pivôs do caso da compra do falso dossiê contra tucanos na campanha de 2006 – recebeu, por meio da empresa que dirigia até o ano passado, onze cheques totalizando 1,5 milhão de reais, datados entre 2005 e 2006. Nesse período, a Caso Sistemas de Segurança, nome da sua empresa, funcionava no número 89 da Rua Alberto Frediani, em Santana do Parnaíba, segundo registro da Junta Comercial. Vizinhos dizem que, além da placa com o nome da firma, nada indicava que houvesse qualquer atividade por lá. O único funcionário visível da Caso era um rapaz que vinha semanalmente recolher as correspondências num carro popular azul. Hoje, a Caso se transferiu para uma casa no município de Santo André, na região do ABC.

Depoimentos colhidos pelo MP ao longo dos últimos dois anos já atestavam que o dinheiro da Bancoop havia servido para abastecer a campanha petista de 2002 que levou Lula à Presidência da República (veja o quadro). VEJA ouviu uma das testemunhas, Andy Roberto, que trabalhou como segurança da Bancoop e de Luiz Malheiro entre 2001 e 2005. Em depoimento ao MP, Roberto afirmou que Malheiro, o ex-presidente morto da Bancoop, entregava envelopes de dinheiro diretamente a Vaccari, então presidente do Sindicato dos Bancários e indicado como o responsável pelo recolhimento da caixinha de campanha de Lula. Em entrevista a VEJA, Roberto não repetiu a afirmação categoricamente, mas disse estar convicto de que isso ocorria e relatou como, mesmo depois da eleição de Lula, entre 2003 e 2004, quantias semanais de dinheiro continuaram saindo de uma agência Bradesco do Viaduto do Chá, centro de São Paulo, supostamente para o Sindicato dos Bancários, então presidido por Vaccari. "A gente ia no banco e buscava pacotes, duas pessoas escoltando uma terceira." Os pacotes, afirmou, eram entregues à secretária de Luiz Malheiro, que os entregava ao chefe. "Quando essas operações aconteciam, com certeza, em algum horário daquele dia, o Malheiro ia até o Sindicato dos Bancários. Ou, então, se encontrava com o Vaccari em algum lugar."

Os depoimentos colhidos pelo MP indicam que o esquema de desvio de dinheiro da Bancoop obedeceu a uma trajetória que já se tornou um clássico petista. Começou para abastecer campanhas eleitorais do partido e acabou servindo para atender a interesses particulares de petistas. Entre os cheques em poder do MP, por exemplo, está um em que a empresa Mizu, de "consultoria contábil", doa 7 000 reais a um certo Centro Espírita Redenção, em 2003. Muitas vezes, dirigentes da Bancoop nem se preocuparam em usar as empresas "prestadoras de serviços" que montaram com o objetivo de sugar a coo-perativa para esconder sua ganância. O MP encontrou quatro cheques da Bancoop, totalizando 35 000 reais, para uma ONG de Luiz Malheiro em São Vicente dedicada a deficientes auditivos – curiosamente, o mesmo endereço do centro espírita. Os cheques foram emitidos entre novembro de 2003 e março de 2005.

Tanta lambança, aliada a uma gestão ruinosa, fez com que a Bancoop mergulhasse num estado de pré-liquidação. Em 2004, com Lula já eleito, Luiz Malheiro foi pedir ao "chefe" Berzoini, então ministro do Trabalho, "ajuda" para reerguer a cooperativa. Quem relatou o episódio ao MP foi seu irmão, Hélio Malheiro. Em 2008, dizendo-se sob ameaça de morte, Hélio Malheiro ingressou no Programa de Proteção à Testemunhas da secretaria estadual de justiça de São Paulo, no qual se encontra até hoje. Em dezembro de 2004, depois que Luiz Malheiro já havia morrido, a "ajuda" chegou à Bancoop. Com apoio de Berzoini e corretagem da Planner (investigada pela CPI dos Correios sob a acusação de ter causado um prejuízo de 4 milhões de reais ao fundo de pensão da Serpro), a cooperativa associou-se a um Fundo de Investimentos em Direito Creditórios (FIDC), entidade que negocia recebíveis, e captou 43 milhões de reais no mercado – 85% dos papéis foram adquiridos por fundos de pensão de estatais controlados por petistas ligados ao grupo de Berzoini e Vaccari. O investimento resultou na abertura de um inquérito pela Polícia Federal por suspeita de que os fundos de pensão teriam sido prejudicados para favorecer a Bancoop.


O PROMOTOR BLAT
"A Bancoop virou organização criminosa"

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João Vaccari Neto é do tipo que se orgulha de ser chamado de "um petista histórico", o que, no jargão do partido, significa, entre outras coisas, que ganhou boa parte da vida dirigindo entidades de classe e do partido. Aos 19 anos, começou a trabalhar como escriturário do Banespa. Ficou lá apenas dois anos. Depois disso, entrou no sindicato de sua categoria e nunca mais pegou no pesado. Participou de três diretorias da Central Única dos Trabalhadores (CUT), foi secretário de relações internacionais da entidade e presidiu o Dieese. Atuou sempre como braço de apoio de Berzoini, a quem sucedeu na presidência do Sindicato dos Bancários de São Paulo em 1998. Apesar de não ter a projeção política do amigo, Vaccari conquistou a amizade de Lula, coisa que Berzoini jamais conseguiu obter. Vaccari, como mostra agora a investigação do MP, tem mais em comum com seu antecessor, Delúbio Soares, do que a barba grisalha. E, como Freud Godoy, está mergulhado até os últimos e ralos fios de cabelo no escândalo dos aloprados (veja o quadro abaixo).
Há duas semanas, um juiz de primeira instância contrariou de-cisão do Tribunal Superior Eleitoral e determinou a cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, por suposto recebimento ilegal de doação de campanha. A sentença, que colocou em risco a segurança jurídica, foi suspensa. Na semana passada, o TSE divulgou as regras que vão orientar as eleições deste ano. São medidas moralizadoras, que incluem a obrigatoriedade da divulgação de quaisquer processos ou acusações criminais que pesem sobre o candidato e que dificultam manobras de doadores que tenham por finalidade esconder a origem do dinheiro. Tudo isso mostra quanto o país está interessado em aprimorar seu sistema de financiamento eleitoral e proteger-se dos efeitos tão deletérios como conhecidos que sua distorção pode causar. Ao indicar pessoalmente alguém com o prontuário de João Vaccari para tomar conta das finanças do PT e da campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o presidente Lula sinaliza que, ao contrário do resto do Brasil, não está nem um pouco empenhado em colaborar na faxina.

Uma pergunta que continua no ar

Quem deu o dinheiro para o dossiê dos aloprados? Entre os envolvidos, Vaccari era o único sentado numa montanha de reais


Patricia Santos/AE

A TROCO DE QUÊ?
Lacerda (à dir.) ligou para Vaccari uma hora depois de entregar o dinheiro que pagaria o dossiê
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João Vaccari Neto e Freud Godoy, envolvidos agora no esquema Bancoop, já atuaram juntos em passado recente. Pelo menos é o que sugere o registro dos telefonemas trocados pela dupla às vésperas do estouro do escândalo dos "aloprados" – como ficaram conhecidos os petistas apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha que tentou comprar um dossiê supostamente comprometedor para tucanos durante a campanha presidencial de 2006. No caso de Vaccari, então presidente da Bancoop, os vestígios de participação no caso guardam cheiro de tinta fresca. Foi para ele que Hamilton Lacerda – na ocasião coordenador de comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante – telefonou uma hora antes de fazer a entrega de parte do 1,7 milhão de reais que seria usado para comprar o dossiê.

O episódio teve início quando a família de Luiz Antônio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, ofereceu a petistas documentos que supostamente comprometeriam tucanos. Deles, faria parte uma entrevista em que os Vedoin acusariam o candidato do PSDB, José Serra, de envolvimento na máfia que distribuía dinheiro a políticos em troca de emendas ao Orçamento para compras de ambulância. Ricardo Berzoini, então presidente do PT, foi acusado de ter dado a autorização para a compra do dossiê. Valdebran Padilha da Silva, filiado ao PT do Mato Grosso, e Gedimar Pereira Passos, advogado e ex-policial federal, seriam os encarregados de pagar os Vedoin com o dinheiro levado por Hamilton Lacerda. Valdebran e Gedimar foram presos pela PF num hotel Íbis, em São Paulo, depois de terem recebido o dinheiro de Lacerda e antes de entregá-lo aos Vedoin. Jorge Lorenzetti, churrasqueiro do presidente Lula, e Oswaldo Bargas, ex-secretário de Berzoini no Ministério do Trabalho, também estiveram envolvidos no episódio. Eles tentaram negociar com a revista Época uma entrevista em que os Vedoin fariam falsas acusações de corrupção contra Serra. A entrevista acabou sendo publicada pela revista Istoé.

Nas investigações que se seguiram à prisão de Valdebran e Gedimar, a PF identificou uma intensa troca de telefonemas entre os envolvidos, incluindo diversas ligações de Berzoini para a empresa Caso Sistemas de Segurança, hoje em nome da mulher de Freud Godoy. Godoy seria o contato de Gedimar no alto escalão do PT. Quanto a Vaccari, bem, até onde se sabe, era o único dos aloprados que estava sentado sobre uma montanha de dinheiro, a Bancoop. O fato de Hamilton Lacerda ter ligado para ele logo depois de ter cumprido a sua missão faz fervilhar a imaginação dos que até hoje se perguntam: de onde, afinal, veio o dinheiro dos aloprados?



Fotos Celso Junior/AE

ALOPRANDO
Lorenzetti (à dir.) e Gedimar (À ESQ.): a trapalhada terminou
em prisão. Mas agora eles estão livres, leves e soltos
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Campanha com verba pública

Ronaldo Soares
Wilton Junior/AE


Denunciados
Garotinho e Rosinha: contratos fajutos e empresas-fantasma
Com uma trajetória pública marcada pelo populismo, por práticas fraudulentas e até por um processo em que responde por formação de quadrilha armada, o ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ) está enredado em mais um escândalo de corrupção, trazido à tona pelo Ministério Público do Rio de Janeiro na semana passada. O esquema chama atenção por envolver e beneficiar, diretamente, a ele próprio e sua mulher, Rosinha – ambos denunciados com mais 86 nomes, entre eles o da atriz Deborah Secco, todos com os bens bloqueados pela Justiça. A investigação concluiu que, durante os quatro anos do governo de Rosinha, 58 milhões de reais foram surrupiados dos cofres do estado, dos quais 600 000 reais seguiram para o caixa da pré-campanha de Garotinho. Ele planejava sair candidato nas eleições presidenciais de 2006, mas, sob acusações variadas e depois de uma greve de fome que o expôs ao ridículo, acabou fora do páreo. Diz a VEJA o promotor Eduardo Carvalho, à frente do caso: "Poucas vezes numa investigação dessas foi possível rastrear o caminho do dinheiro desviado com tamanha precisão e riqueza de detalhes. Os fatos são irrefutáveis". O próximo passo do Ministério Público será apurar se houve participação de líderes evangélicos no esquema, sobre a qual há indícios.

Já está bem claro, no entanto, de onde as verbas do estado eram subtraídas e como, depois, chegavam à campanha de Garotinho e ao bolso dos demais envolvidos. A operação tinha como ponto de partida a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), órgão do próprio governo estadual ao qual Rosinha autorizou, por lei, contratar serviços terceirizados – repassados a ONGs – para atender às várias secretarias. Essas ONGs, por sua vez, forjavam contratos com empresas, pelo menos três delas de fachada, para executar projetos que jamais saíram do papel. O Ministério Público concluiu que o operador do esquema era Ricardo Secco, pai da atriz Deborah Secco. As contas-correntes dela registram depósitos provenientes de duas dessas empresas, no valor de 321 000 reais. Defende-se a atriz: "Nunca tive nenhum envolvimento com política. De minha parte, estou inteiramente tranquila". Com a denúncia, Garotinho, que até então se apresentava como candidato ao governo do estado, e Rosinha, atual prefeita da cidade de Campos, perigam ter, enfim, seus direitos políticos cassados na próxima década.
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Rafael Campos

321 000 reais
na conta-corrente
A atriz Deborah Secco:
o pai dela era o operador
do esquema que
desviava verbas
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Manoel Marques


"O sindicato sempre foi um defensor da minha classe. Por isso, na hora de fazer um financiamento com eles, não tive dúvidas. Comecei a pagar um apartamento de 45 000 reais em 1997. Suei para honrar as prestações. Vendia coxinha e bolo para complementar a renda. Esse imóvel representava muito para a minha família. Onde morávamos, meus filhos dormiam na sala. Em 2000, quitei o apartamento e nós nos mudamos. Seis anos depois, porém, passei a receber boletos com o valor de 470 reais. Eles diziam que precisavam cobrir gastos excedentes. Até pagaria, se pudesse. Mas a minha renda era de 600 reais. Em 2008, a Bancoop entrou com uma ação de despejo contra mim. Ela não foi concluída, mas, desde então, vivo o pesadelo de eles tirarem o meu único bem material. Durmo sob o efeito de calmantes."
Maria de Fátima Bonfim,
de 55 anos, bancária aposentada
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Roberto Setton

"Conheci a Bancoop em 2004, quando vi uma placa de propaganda em frente a um terreno vazio. Eles iriam construir um imóvel perto da minha casa. Achei a oportunidade ótima: o preço era bom e a instituição tinha credibilidade. Demos nossa economia de 10 000 reais de entrada e passamos a pagar as prestações. Alguns meses depois, porém, desconfiei do empreendimento. Eu passava em frente ao terreno e não via nenhum pedreiro lá. Diziam sempre que a construção estava para começar. Não acreditei e consegui transferir o dinheiro que havia investido para outro imóvel deles. Dessa vez escolhi um local cuja construção já estava pela metade. Como fui inocente... Esse imóvel também nunca foi concluído. Empatamos 80 000 reais nessa história. Não confio mais nas instituições."
A advogada Tânia de Oliveira, de 42 anos, com o marido, Heleno, e a filha Helena
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Alexandre Schneider

"Aos 43 anos, decidi dar um grande passo: comprar meu primeiro imóvel. Usei os 20 000 reais que havia juntado e entrei no financiamento de um apartamento de 60 000 reais. As prestações eram metade do meu salário. Um dia, recebi uma cobrança extra de 1 800 reais. Seria a primeira de muitas. Tive de tirar um empréstimo bancário. Em dois anos, estava endividado, mas havia quitado meu imóvel. Sentia-me orgulhoso – jamais atrasei uma parcela. Mas em 2005, enquanto esperava o sorteio das chaves, soube que a Bancoop não estava honrando seus compromissos com muitos cooperados. Eu era um deles. Meu imóvel nunca saiu do chão. No início, briguei, participei de protestos vestido de palhaço. Há dois anos, recebi o diagnóstico de câncer de pulmão, o que me deixou sem forças para lutar. Perdi as esperanças."
Oscar Costa, 52 anos, bancário aposentado.

Com reportagem de Adriana Dias Lopes, Vinícius Segalla, Kalleo Coura, André Eler e Marina Yamaoka

IMPORTANTE LEIA

São Paulo, BR - quinta-feira, 04 de março de 2010

Trato habitualmente do que considero certos desvios da imprensa condicionados ou pelo pensamento politicamente correto ou pela, à falta de palavra mais precisa, ideologia. Não é raro que opte até pelo humor. É assim que elegi o que chamei a minha "Musa da Enchente". A partir de um determinado momento, a repetição de um padrão, de uma abordagem ou até do que vira um "jargão sintático" ? aquele estilo de sempre ? não deixa de revelar a sua graça. Mas há momentos em que o texto vicioso, com efeito, perde toda a graça e mergulha, de cabeça, no mau jornalismo, na distorção dos fatos e, como é o caso de que vou tratar, no crime intelectual. Isto mesmo: do ponto de vista intelectual e jornalístico (da técnica jornalística), Laura Capriglione escreveu na Folha desta quinta um texto criminoso. E, lamento dizer, a edição não fica atrás. E tenho mesmo minhas dúvidas se a distorção de que foi vítima um senador e um partido político não estende suas franjas ao Código Penal. Leiam:

DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

Por Laura Capriglione e Lucas Ferraz:

Para uma discussão que sempre convoca emoções e discursos inflamados, como é a das cotas raciais ou reserva de vagas nas universidades públicas para negros, a audiência pública que se iniciou ontem no Supremo Tribunal Federal transcorreu em calma na maior parte do tempo. Até que um óóóóóóó atravessou a sala. Quem falava, então, era o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que se esforçava para demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos.

Disse Demóstenes sobre o tráfico negreiro: Todos nós sabemos que a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. () Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.

Sobre a miscigenação: Nós temos uma história tão bonita de miscigenação [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.

As referências à história tão bonita da miscigenação brasileira, ao negro traficante de mão de obra negra, o democrata usou para argumentar contra as cotas raciais, já adotadas em 68 instituições de ensino superior em todo o país, estaduais e federais. Desde 2003, cerca de 52 mil alunos já se formaram tendo ingressado na faculdade como cotistas.

O partido de Demóstenes considera que as cotas raciais são inconstitucionais porque, ao reservar vagas para negros e afrodescendentes, contrariariam o princípio da igualdade dos candidatos no vestibular.

Na condição de relator de dois processos sobre o tema (também há um recurso extraordinário interposto por um candidato que se sentiu prejudicado pelo sistema de cotas adotado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul), o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, decidiu convocar a audiência pública, que se estenderá até sexta-feira, com intervenções pró e anticotas.

A audiência pública é uma forma de as partes interessadas levarem seus pontos de vista ao STF. Segundo Lewandowski, o assunto será votado ainda neste ano. Se considerar que as cotas ferem preceito fundamental, acaba essa modalidade de ingresso no sistema universitário. Se considerar que são ok, a decisão sobre adotar ou não uma política de cotas continuará a ser dos conselhos universitários.

No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.

Comento A generalização Ainda que o que vai no título fosse verdade ? é uma mentira descarada porque se trata de uma distorção estúpida do que disse o senador ?, a afirmação não seria do DEM, mas de Demóstenes, que é só um membro do partido. Não é possível que o jornal endosse este título como exemplo de rigor técnico; não é possível que a Folha passe, agora, a adotar esse padrão. As individualidades desaparecem, e cada membro do partido passa a ser o partido inteiro.

É mentira que Demóstenes estivesse se esforçando para "demonstrar a corresponsabilidade de negros no sistema escravista vigente no Brasil durante quatro séculos." Essa é uma acusação de Laura. Que escreva, então, uma coluna opinativoa. O senador, um parlamentar que tem tido uma trajetória exemplar no Senado, estava apenas tratando de uma matéria de fato. É uma verdade absoluta, comprovável e com farta bibliografia que "a África subsaariana forneceu escravos para o mundo antigo, para o mundo islâmico, para a Europa e para a América. Lamentavelmente. Não deveriam ter chegado aqui na condição de escravos. Mas chegaram. () Até o princípio do século 20, o escravo era o principal item de exportação da pauta econômica africana.

E isso não significa "co-responsabilizar" (ainda estou na ortografia antiga) negros por sua própria escravidão. Porque, então, isso implicaria que os "responsáveis" são "os brancos", todos os brancos, qualquer branco. Essa atribuição de "culpas", tentando estabelecer um tribunal retroativo da história, segundo valores que são contemporâneos, é uma estupidez. Pode interessar a Laura e a seus amigos cotistas, mas se trata de uma fraude intelectual. Ocorre que a indústria da reparação precisa consolidar a idéia de culpa. E a culpa só pode ser plenamente definida negando-se a história, fazendo dos negros meros sujeitos passivos ? ou objetos ? de uma história conduzida por outros, pelos brancos.

Não, Dona Laura! O senador Demóstenes não co-responsabilizou os negros por sua própria escravidão. O que ele fez foi ver os negros também como sujeitos da história. E isso, de modo nenhum, nega os horrores da escravidão. Ao contrário: até os expõe com mais clareza porque evidencia que o problema era bem mais complexo do que a cor da pele. E, na UnB, é a cor da pele que está dando vagas a estudantes ? ou tirando. A título de ilustração, leiam o que segue em azul.

Se a escravidão tradicional africana funcionou como alicerce para a venda de escravos aos traficantes europeus e árabes, também é verdade que o tráfico negreiro ampliou o escravismo na África. A população cativa do Congo chegou a representar 50% do total. No reino vassalo do Ndongo, estabelecido na atual Angola no século XVI, a classe dos escravos era a fonte do poder do rei e da aristocracia.

O reino Ashanti dominou a Costa do Ouro por três séculos e a venda de escravos para os traficantes representou a mais importante fonte de suas rendas, que eram trocadas por bens comercializados pelos europeus. Os lugares onde foram erguidos os empórios de escravos não eram posses dos traficantes, mas da chefia ashanti, que os cedia mediante um aluguel mensal. Os ingleses pagavam pelo uso do Castelo de Cape Coast. No golfo da Guiné, antes do reino Ashanti, cujo apogeu se deu no século xvm, o negócio do tráfico tinha como foco o estado de Oyo, na atual Nigéria, e depois transferiu-se para o Daomé, no atual Benin. Os chefes do Daomé mantinham estreitas relações com os traficantes luso-brasileiros do Rio de Janeiro e, quando o Brasil declarou sua independência, chegaram a explorar a hi-pótese de se juntar ao Império de D. Pedro I na condição de província ultramarina.

As guerras entre Estados africanos tornaram-se mais comuns nas áreas sob a influência dos empórios negreiros, pois a captura e escravização passaram a fi¬gurar como fontes essenciais de riqueza para as chefias. As guerras crônicas entre os ashantis e os acans forneceram, para as chefias de ambos os lados, muitos dos cativos que foram vendidos como escravos nos empórios da Costa do Ouro. Entre 1814 e 1816, os ashantis conduziram uma sangrenta guerra contra uma coalizão

dos akins e akwapis para recuperar acesso a portos marítimos e, desse modo, aoí traficantes europeus. Pouco antes do fim do tráfico transatlântico, em 1840, o rei Gezo, do Daomé, declarou que o tráfico de escravos tem sido o princípio norte-ador de meu povo e, ainda, que ele tem sido a fonte da nossa glória e riqueza.1 Em 1872, bem depois da abolição do tráfico, o rei ashanti dirigiu uma carta ao monarca britânico solicitando a retomada do comércio de gente.

O nexo africano do sistema internacional de comércio de escravos pesa como uma rocha em certos países da África. Não discutimos a escravidão, assegura Barima Kwame Nkye XII, um chefe supremo do povoado ganes de Assin Mauso, enquanto Yaw Bedwa, da Universidade de Gana, diagnostica uma amnésia geral sobre a escravidão.5 A amnésia concerne, especialmente, ao papel desempenhada pelos chefes ashantis, cujos descendentes continuam a ocupar lugares destacados na sociedade ganesa. Uma história oficial procura estabelecer uma distinção absoluta entre a escravidão tradicional, descrita como mais ou menos benevolente, e o tráfico internacional, que é atribuído exclusivamente aos europeus. Contudo, em algumas regiões africanas, descendentes de escravos não têm, até hoje, o direito de herança.

O trecho acima é do livro Uma Gosta de Sangue, de Demétrio Magnoli. "Ah, não vale porque ele é contra as cotas". Contra ou favor, muda os FATOS que estão relatados ali?

Laura também dá destaque a uma fala de Demóstenes, que, fora do debate, pinçada do conjunto, dá a entender que ele trata a escravidão como um doce conúbio: "Nós temos uma história tão bonita de miscigenação [Fala-se que] as negras foram estupradas no Brasil. [Fala-se que] a miscigenação deu-se no Brasil pelo estupro. [Fala-se que] foi algo forçado. Gilberto Freyre, que é hoje renegado, mostra que isso se deu de forma muito mais consensual.

A "história bonita" de Demóstenes, ainda que a expressão possa convocar ódios e rancores, mas não o pensamento, se define, por exemplo, se considerarmos o que aconteceu na América espanhola ou mesmo nos Estados Unidos. O fato de o Brasil ter algo em torno de 42% de "mestiços" evidencia, por si mesmo, que a colonização aqui se deu de modo distinto. E, com efeito, o sociólogo Gilberto Freyre, desprezado pelos marxistas da academia, estudou o fenômeno no magnífico Casa Grande & Senzala. Houve violência? A escravidão, em si, era uma violência. Mas também havia fatores históricos, culturais, que deram o tom da acelerada miscigenação. De novo: o senador não está cometendo um crime, não está sendo, como o texto sugere, um elitista ridículo, que ignora a realidade. Reproduzo um trecho do livro de Freyre:

Introduzidas as mulheres africanas no Brasil dentro dessas condições irregulares de vida sexual, a seu favor não se levantou nunca, como a favor das mulheres índias, a voz poderosa dos padres da Companhia. De modo que por muito tempo as rela-ções entre colonos e mulheres africanas foram as de franca lubri-cidade animal. Pura descarga de sentidos. Mas não que fossem as negras que trouxessem da África nos instintos, no sangue, na carne, maior violência sensual que as portuguesas ou as índias.

Dampier, que esteve na Bahia, no século XVII, soube de vários colonos amasiados com negras: Plusieurs dês portugais, qui ne sont pás marrez, entreiennent de cês femmes noires pour leurs maitresses.40 Já não eram as relações dos portugueses com as pretas, as de pura animalidade dos primeiros tempos. Muita africana conseguira impor-se ao respeito dos brancos; umas, pelo temor inspirado por suas mandingas; outras, como as Minas, pelos seus quindins e pela sua finura de mulher. Daí ter uma minoria delas conquistado para si uma situação quase idêntica à que o moralismo parcial dos jesuítas só soubera assegurar para as ín-dias. Situação de caseiras e1 concubinas dos brancos; e não exclusivamente de animais engordados nas senzalas para gozo fí¬sico dos senhores e aumento do seu capital-homem.

Cinco ou dez por cento de mestiços no Brasil talvez pudessem justificar a imposição do branco somente pela violência e pelo estupro. Mais de 40% sugerem outro fenômeno e outra história. Se o Brasil viveu a inequívoca violência da escravidão, também tem na sua história o impulso para a integração e a miscigenação. Demóstenes, na prática, indaga qual das duas realidades devemos tomar como força virtuosa: a que integra ou a que segrega?

Não serei eu Não, senhores! Não serei eu a negar que os veículos e os jornalistas abracem suas causas. Que o façam. MAS QUE NÃO DEPREDEM A HISTÓRIA DA MANEIRA MISERÁVEL COMO FEZ LAURA CAPRIGRLIONE. A matéria também é assinada por outro jornalista. Mas conheço o estilo da minha musa. Não se pode manchar a reputação de um político como Demóstenes, que tem se comportado, até agora, com seriedade. Se e quando pisar na bola, apontarei. Ainda não vi isso acontecer.

É evidente que, na prática, mobiliza-se contra ele o que Laura chamou de "emoções e discursos inflamados". Pior: o jornal permite que um título atribua a um partido uma abordagem estúpida que não é nem mesmo a do Senador.

O especialista Laura precisava de um especialista para endossar a sua diabrura. Preferiu buscar, assim, uma prata da casa, da sua casa, o "historiador Luiz Felipe de Alencastro", também seu ex-marido. A condição de ex-marido não faz dele menos historiador. Mas a condição de historiador não elimina a de ex-marido. Leiam, agora, o texto:

O historiador Luiz Felipe de Alencastro, professor titular de história do Brasil da Universidade de Paris - Sorbonne, diz ser falsa a visão da mestiçagem como uma grande festa de relações consensuais. Se fosse assim, por que a mestiçagem retrata invariavelmente uma situação em que o homem genitor (mas não marido) é da camada dominante e a mulher é sempre da camada dominada (mulata ou negra)? Por que não existem casos de mulheres brancas casando-se com negros no século 19?

Alencastro refuta a noção de que foram os próprios negros que organizaram o tráfico negreiro: Havia, sim, tráfico de escravos na África. Mas a escravidão atlântica teve uma intensidade tal, uma integração tamanha com o capitalismo moderno, que acabou exacerbando os mecanismos de exploração interna no continente africano.

O historiador diz que há registros de 37 mil viagens de navios negreiros para as Américas. Nenhuma delas em navios de propriedade de negros. Toda a logística e o mercado eram uma operação dos ocidentais.

Segundo Alencastro, o Brasil teve uma posição excepcional no tráfico negreiro atlântico. Os colonos do Brasil foram os únicos que fizeram expedição negreira na África. Os americanos não tinham essa logística, os cubanos também não. Mas os brasileiros invadiram Angola em 1648 para relançar o tráfico negreiro.

Comento Depois se ter atribuído a Demóstenes o que ele não disse; depois de ter responsabilizado o DEM por aquilo que o partido não fez, vem o "historiador ex-marido" para negar o que o outro não falou. Cadê a afirmação do senador de que a mestiçagem foi "uma grande festa de relações consensuais?" Por que Alencastro nega que fossem os africanos a cuidar do tráfico? Quem disse o contrário? Como ele tem alguma responsabilidade profissional, além do endosso a uma abordagem, vá lá, familiar ? isso pega muito bem no familismo que ainda marca o debate público no Brasil ?, foi obrigado a admitir "que a escravidão atlântica () acabou exacerbando os mecanismos de exploração interna no continente africano".

Alencastro cuida das palavras: a expressão "mecanismos de exploração interna" quer dizer: ESCRAVIDÃO. Justamente aquilo que disse Demóstenes e que lhe custou a satanização no texto e a acusação de que seu partido "co-responsabiliza" os negros pela escravidão.

Direi de novo

Laura tem todo o direito de pensar o que lhe der na telha; a Folha pode ter a abordagem que quiser sobre o assunto, mas é inaceitável que se distorça a fala de um político ou se atribua a um partido uma avaliação que não é sua. A matéria de Laura Capriglione e as contestações de Alencastro àquilo que ninguém disse colaboram para deixar o leitor mais estúpido. O que se procura é a sua indignação, não a sua compreensão. Trata-se de um texto de militância.

Encerro

Escreve Laura: No primeiro dia, falou uma maioria de favoráveis às cotas, em um placar de 10 a 3. Falaram representantes de ministérios e de universidades favoráveis às cotas, e os advogados do DEM e do estudante gaúcho, além de Demóstenes.

Ela só deixou de informar que o ministro Ricardo Lewandowski convocou 40 pessoas. Escolheu um critério que resultou no seguinte "confronto": 28 são favoráveis às cotas e só 12 são contrários.

A reportagem da Folha, na forma como está escrita e editada, não quer debater coisa nenhuma. Quer esmagar o pensamento considerado errado, incômodo ou que adjetivo se escolha. Para tanto, não hesita em recorrer à mentira e à desinformação, que, como escreve Laura, "convoca emoções". O objetivo é silenciar a divergência e caracterizar os que se opõem às cotas como racistas ou idiotas.

Desta vez, Laura deu mais um passo depois de ter chagado ao limite. Pouco importa que posição se tenha sobre a política de reparação, os dois textos publicados na Folha são um exemplo, antes de qualquer outra coisa, de mau jornalismo. E duvido que alguém lá dentro consiga fazer uma defesa técnica daquilo que se publicou. Pode até fazer uma defesa corporativista. E burra! Como todo corporativismo.

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Eduardo Balduino
Assessoria de Imprensa
61-8137-0160

2010 – O ANO DO PINÓQUIO


O Estado mínimo, associado a um moderno capitalismo controlado por um sistema legal que proteja a sociedade contra os abusos dos empresários, mas estimule a livre concorrência, é a única forma de evitar que a parte mais calhorda da sociedade – suas bandas podres –, formada pelos canalhas esclarecidos, adquira o poder de controlar o país pelos instrumentos da corrupção, da prevaricação, e da prostituição da política, assim como pela ação do corporativismo mais sórdido que contamina as relações público-privadas.

Nada impede que este modelo de estado-minimo controlando uma sociedade capitalista seja fruto de uma administração civil-militar na sua fase de transição. Precisamos consertar os erros que nos levaram à Fraude da Abertura Democrática. Este é o único caminho para salvar o país da desgraça do domínio comunista que está batendo às nossas portas. Os bandidos estão no poder.



O mundo, em 2010, vai testemunhar ao que tudo indica o maior golpe já dado em um país para que um movimento partidário-prostituído assuma seu controle econômico, social e político.

Estamos na fronteira de uma ditadura organizada por uma fraude partidária chamada de PT, que deverá se perpetuar no poder por mais 20 anos, transformando o país em uma Cuba Continental comandada pela sórdida burguesia petista que praticamente já controla o país.

A pergunta que ficará nos anais da história da civilização ocidental será: como uma sociedade de um país continental beirando os 200 milhões de habitantes pode aceitar sua degeneração moral e sua tomada pelo movimento comunista internacional – representado no país pelo Fórum de SP – sem ao mesmo dar um tiro na defesa da democracia, da liberdade e da justiça social?

Os estudiosos tentarão achar uma resposta lógica para explicar como uma sociedade de um país, com condições de se transformar em uma das maiores potências econômicas do mundo, permitiu que seus poderes públicos republicanos fossem criminosamente aparelhados por quadrilhas organizadas e perguntarão: onde estava a “inteligência” legal e moral da sociedade capaz de evitar que o Brasil fosse transformado no paraíso da corrupção e da prevaricação, com um pano de fundo de relações público-privadas contaminadas pela prática do ilícito como princípio, meio e fim?

A resposta mais simplista e idiota que poderá ser registrada será atribuir ao Retirante Pinóquio a “genialidade política” de conseguir transformar, com sua liderança “estadista”-meliante, milhões de ignorantes e milhares de esclarecidos canalhas em cúmplices do golpe contra a sonhada democracia que vinha sendo perseguida pela sociedade brasileira, mas que passou a ser submissa a um Estado de Direito Comunista, simplesmente porque todos acreditavam na honestidade de princípios de uma fraude de ser humano em todos os sentidos que se queira avaliar.

Seria realmente uma genialidade política se este estado da arte de dominação pacífica de uma nação fosse fundamentado em uma ideologia sustentada com discursos que tivessem uma força ideológica honesta para a construção de um “mundo novo” apenas com o poder do convencimento à aceitação pelas massas das idéias de um líder ou estadista nato “vendedor” de um novo e revolucionário modelo socialista. MENTIRA! PURA CANALHICE!

O que realmente ficará registrado na história do nosso país através do trabalho de historiadores sérios é que não foi desse tipo de liderança a efetiva responsabilidade por um projeto de poder capaz de subjugar o Brasil - através de um movimento político corrupto por natureza -, um país continental com divisões de classes extremamente complexas de forma absolutamente pacífica. O que o canalha se aproveitou foi da xepa de séculos de degeneração moral de uma sociedade, uma destruição de valores e princípios fundamentais semeada pelos patifes esclarecidos das oligarquias apodrecidas.

A tomada do poder pelo PT em um impune estelionato eleitoral é o resultado final da infelicidade que nosso país ter sido ao longo de sua história dominado por oligarquias políticas calhordas que nunca se interessaram em construir uma grande nação democrática, livre, economicamente sustentável e competitiva.

Realmente, da maneira como o país, ao longo de sua história, foi edificado, o fez se transformar de uma Colônia em uma República, de um jeito que não podia dar certo. A semeadura da falência educacional e cultural, para manter as massas submissas aos canalhas das elites dominantes, produziu seus hediondos frutos que alimentaram a degeneração moral do país ao longo de sua história.

Uma nação, que começou colonizada por bandidos, chefiados por picaretas e criminosos, recebendo ordens do outro lado do mundo para acumular riquezas para poucos pela prática do mercantilismo que objetivava explorar o “novo paraíso de riquezas naturais” tinha que ter um ponto na sua história em que a degradação moral de sua sociedade - pelas oligarquias calhordas que foram se formando ao longo do tempo - chegaria ao estado da arte dos sonhos de todos os canalhas: a prática do ilícito como principal instrumento de enriquecimento dos grupos de poder.

De uma forma ou de outra, esses grupos sempre dominaram o país, mesmo no submundo civil do Regime Militar, com centenas de corruptos espalhados nos poderes públicos e prontos para dar uma facada nas costas das Forças Armadas assim que o poder voltasse às suas mãos. A Fraude da Abertura Democrática provou que o Regime Militar não completou adequadamente suas “tarefas” ao entregar o país para o controle do submundo do comuno sindicalismo e dos canalhas esclarecidos.

Talvez, o único momento de lucidez que a sociedade organizada do nosso país demonstrou ter na sua trajetória de subdesenvolvimento econômico e social ao longo de sua história, coletivamente, foi ter saído às ruas e pedir em 1964 uma dura intervenção militar para dar um basta nas tentativas dos traidores do país de transformá-lo em um repositório dos canalhas do comunismo decadente e genocida, que já tinham demonstrado a falência política e social de suas ideologias genocidas.

Infelizmente representantes dessa mesma sociedade – artistas, jornalistas amestrados, políticos, Igreja, grandes empresários, classe média, elites, academia entre muitos outros patifes traidores de nossa pátria – fazem agora a mesma coisa no sentido inverso: todos estão lutando no submundo da covardia apátrida e permitindo que o país seja absolutamente dominado por quadrilhas organizadas fantasiadas ou mascaradas com falsas idéias socialistas que a história já provou serem incompatíveis com a democracia, com a liberdade e com a justiça social. Nunca existiu e nem vai existir uma sociedade livre, digna e justa sob o manto de um sistema tão corrupto, genocida e decadente à semelhança de Cuba.

O final dessa triste história do nosso país na sua tentativa de tornar-se uma potência econômica e social, mas através dos séculos de prática de um processo cultural e educacional que não deu sustentação moral aos elos sociais fundamentados na honestidade e na moralidade, termina com a absoluta degeneração das relações públicas e privadas, o que abriu o espaço necessário para a definitiva tomada do poder público por quadrilhas organizadas que se estruturaram no submundo do comuno sindicalismo associados com os canalhas esclarecidos, especialmente essa academia sórdida que está vendendo a pátria em troca de sinecuras e garantia de uma vida profissional sem riscos, todos submissos a um sórdido corporativismo que domina o processo universitário público do país, que permite impunemente que um canalha diplomado, por exemplo, compre para seu gabinete uma lixeira de R$1000,00.

O ano de 2010 será o ano do Pinóquio se a sociedade não acordar.

Ou essa fraude humana e seus cúmplices serão alijados do poder por uma união nacional contra os canalhas da corrupção e da prevaricação, impedindo que seu maníaco sonho de poder perpétuo seja realizado através de sua cúmplice, ou, então, a sociedade fará nas urnas, manipuladas com o suborno generalizado e com o maior programa – o assistencialismo petista – de compra de votos que o mundo já conheceu uma covarde opção para que seus filhos e suas famílias se transformem em escravos de um Estado “Socialista”, que repetirá no Brasil a trajetória do ditador Fidel Castro em Cuba, mas aqui sob o comando do mais sórdido político que a história do nosso país haverá de registrar.

Façam suas escolhas e deixem seus filhos e suas famílias pagarem a conta de suas covardias corruptas e apátridas quando a provada nua e crua dualidade de uma sociedade comunista genocida bater às suas portas: a cumplicidade, ou a prisão. Se nenhuma das duas alternativas for aceita, a fuga ou a morte.

Geraldo Almendra

01/03/2010